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terça-feira, 30 de agosto de 2011

Bariloche : Trilha Cerro Catedral - Refugio Jakob


Trekking Catedral - Jakob - Refugio Jakob
(Atração Internacional)

Duração : 2 dias.
Dificuldade : média
Distância total da trilha : 22,8km



Atrações
  • Visão de montanha
  • Refúgio
  • Lago
  • 2 pequenas cachoeiras
  • Passeio em aerosillas
Local: Bariloche, Rio Negro, Argentina

Logística

Importante: Para esta trilha, é necessário que você combine a sua volta previamente. O fim da trilha termina em um local onde não passam ônibus comuns, então você precisa pagar uma van que te pega no fim da trilha e te leva de volta a cidade de Bariloche.

Dia 1
Partindo do pressuposto que você se encontra em Bariloche, você começa a jornada pegando um ônibus comum para o Cerro Catedral. Infelizmente me esqueci o nome dele, mas basta perguntar no Club Andino, que sempre tem informações confiáveis. (O Club Andino fica no centro da cidade, fácil de encontrar).

O preço do ônibus foi algo como 8 pesos (4 reais, ou coisa parecida). 
Você desce no ponto final, sem erro. Lá, você encontrará facilmente a entrada para subir para as aerosillas. Você deve comprar o ticket somente de ida (você não vai voltar por onde veio). O preço desse ticket, pelo menos até o momento desta jornada feita é de 45 pesos (algo como 15 reais, atualmente).

São cerca de 50 minutos nesta primeira parte. Depois do fim das aerosillas, siga a marcação da trilha sempre, em direção a la Cancha (ponto de referência).

Em la Cancha, siga para a direita, e desça o morro em direção ao vale. Continue pela trilha até o outro lado do Vale, suba o morro e finalmente desça em direção ao refúgio.


Dia 2:
No segundo dia, informe-se no refúgio de como pegar a trilha de volta. É a volta tradicional, a que a maioria das pessoas fazem. Na volta é onde passa-se obrigatoriamente pela Cachoeira Jakob. Depois a trilha continua tranquila e sem muitas surpresas, quase sempre com o leito do rio ao lado acompanhando.

Distâncias
Ida (dia 1)
Aerosillas : 3,3km.
Fim aerosillas - Refugio Frey : 9,96km.

Volta (dia 2)
Refugio - Cachoeira Frey - 1km
Cachoeira - Fim : 12,8km

Preços
    (em pesos argentinos)
Obrigatórios:
Ida de Ônibus : $8,00
Ida de Aerosillas : $45,00 (é possível fazer a pé, mas demanda mais umas 3h no mínimo)
Volta de Van : $90,00 (aluguel, pode ficar mais barato se alugar um carro)


Opcionais
Pernoite no Refugio : $50,00 (pode levar sua barraca)
Janta : $60,00 (pode levar sua comida)

Dificuldades da trilha
  • 2 descidas muito íngremes
  • 1 subida média
  • Breve passagem por rio - pode complicar se você estiver sem tenis impermeáveis.
  • Ventos fortes

Dicas
  • Vá acompanhado
  • Prefira dormir no refúgio ao invés de levar sua própria barraca.
  • Leve roupa e tênis impermeáveis. É importante.
  • Com vento, não corra!
  • Olhe os horários de ônibus para o Cerro Catedral - eles demoram.
  • Confie no Club Andino - empresa que realiza trekkings e conduções. Mas pesquise preços - há mais baratas.

Roteiro - Mapa
   (Distâncias x tempos gastos)
Os tempos são aproximados, de acordo com a minha ida. Vão variar dependendo do seu ritmo, roteiros alternativos, paradas e clima no dia.

Obs: alguns mapas que eu uploado para o google maps ,aparecem com paginação louca.. neste a volta (em vermelho, aparece paginada chatamente... qualquer coisa baixe o arquivo .kml). Em amarelo a ida. Os pontos iniciais e finais se referem ao mapa.


Visualizar Ar.Rn.Bariloche.Trekking Catedral Jakob em um mapa maior

Breve Descrição
O ônibus que sai do centro da cidade até o Cerro Catedral demora a passar - mesmo em dias de semana. Pra mim demorou cerca de 1h, então programe-se! A viagem até o Cerro é tranquila e não muito demorada. Deposi de uns 30 a 40 minutos ele para no ponto final, lá no Cerro Catedral (famosa pista de esqui, que fica quase deserta no verão). De lá, vá bilheteria e compre seu ticket para subir pelas aerosillas.

O passeio nas aerosillas é tranquilo também. Cerca de 40 minutos até o último nível. Essa parte lhe dá uma valiosa ajuda, pois se decidir fazer esse trecho a pé, são 900 metros de elevação! (bem pesado...)

No último nível das cadeirinhas, siga as marcas vermelhas/amarelas em direção ao topo. Lá em cima você poderá ter uma boa ideia de como estará o tempo para se decidir do que fazer. Andando sobre o pico, você chega até "La Cancha" , ponto de referência, onde a trilha se divide. Continue seguindo as marcações amarelhas/vermelhas que te guiarão até o ponto onde você deve descer o vale.

Aqui você deve tomar sua decisão final : ir para o Refugio Jakob ou Refugio Frey. [O Refugio Frey é outra trilha famosa dessa região, na verdade, a trilha mais famosa e conhecida é a trilha que inclui esse outro refúgio, trata-se da trilha  Refugio Jakob - Refugio Frey, que é feita em 3 dias). Já, este roteiro deste post, é uma alternativa T, para ser feita em 2 dias.

Ir para o Jakob deste ponto é uma alternativa caso o tempo esteja muito ruim ou seja impraticável continuar até o Jakob, que é mais longe.

Pressupondo que decidiu-se pelo Jakob, encara-se a descida mortal - mais pesada desta trilha, onde não há rastros a seguir. Desça o mais reto que puder somente até encontrar a trilha no vale. Não há vegetação nesta parte devido a altura e o frio. Tenha cautela ao descer.

Alcançado o vale, se não cair exatamente na trilha, procure-a para que ela te guie em direção ao Refúgio. Se você desceu em linha reta, a trilha vai te guiar para sua esquerda.

Siga pelo vale tranquilamente em direção ao próximo pico. No meio desse vale você curte a Cachoeira Jakob. Essa parte da trilha você é protegido por muitas árvores e bastante brejo.  Bom ponto para descanso.

A subida para o segundo pico começa amena e é possível vencê-la sem muito custo (a inclinação é muito mais branda do que a descida anterior). Você também está protegido do vendo pois está rodeado de montanhas. Aproveite bastante a paisagem.

Alcançado o segundo pico você pode se assustar um pouco com o vento que te recebe vindo do outro lado. Aproveite para avistar um pontinho marrom la embaixo. É o refúgio com seu lago ao lado! Tire fotos antes de começar a descer pois durante a descida pode ser complicado. Desça esse segundo pico pela trilha também até chegar ao vale.

Do vale, continue pela trilha e cruzar o rio até encontrar o Refúgio. Curta o fim da tarde.

Dia 2
Não saia depois das 11h (horário limite para começar a trilha). Peça as instruções para o pessoal no Refúgio. ELes moram ali! Conhecem bem. Há placas indicativas e é tranquilo. Em menos de 1km você vai acompanhar a queda do rio que você atravessou no dia 1 que forma a Cachoeira Jakob. Uma pena apenas não dar pra nadar! Curta a cachoeira naquele início de dia e siga tranquilo pela trilha.

A boa notícia é que o segundo dia é muito mais light do que o primeiro dia pois você apenas continua descendo pelo vale até chegar na estrada sem descidas muito ingremes. Apenas nos 3 primeiros quilometros você tem de descer alguns "caracoles" (zigue-zagues) mas nada comparado ao dia primeiro.

A trilha continua tranquila, com muitas arvores e sempre o rio acompanhando até o fim dela. Termina em uma casinha bem singela onde a Van irá te pegar.

A seguir, relato + fotos retirado do meu segundo mochilão, realizado em janeiro de 2011 (original: http://mochilaob.wordpress.com/2011/02/07/dia-20/)


Relato + Fotos + Vídeos

Acordei TARDE. Isso não estava previsto. Mas depois de umas cervejinhas e ir dormir quase as 3, não tinha outro jeito (eu tinha que descansar algo pro trekking). O Osher acordou meio emburrado e com poucas palavras. Tomamos o café, ele foi pra rodoviária e eu fui direto pro centro pegar meu ônibus.
Eu não forcei muito nem perguntei porque ele estava emburrado (acho que era por causa da namorada mandando mil mensagens) , mas então daí mais uma despedida breve do tipo “nos vemos pelo mundo” – boa viagem e nos vemos por aí. (isso é uma coisa muito loucona, fico meio zuado com isso).
Parei lá no centro, pensando nesse dia tão social que tinha tido no dia anterior e em como o mochilão, sem querer querendo acaba sendo uma soma em todos os aspectos – novos lugares, novas pessoas, aberturas de mente. É muito ganho – queria viver assim pra sempre.
Pela primeira vez desde que tinha chegado a Patagônia, precisei colocar a blusa de frio durante o dia (não achei que fosse acontecer). Estava um vento bem forte – primeiro dia estranho que eu pegava.
No ponto de ônibus, fiquei esperando o ônibus para a Catedral (que demorou muito) e uma senhora puxou papo comigo comentando de como gostava de Bariloche. Acabei falando que ia a Pucon (e ela era do Chile) ela começou a contar milhoes de casos horrendos do tipo, roubous, assassinatos de genros dela, filhos que levaram facadas (eita) que eu pensei “ota mulher azarada” heuahe. Mas coitada.. ela me deu uns toques, falou pra , quando eu ir no Chile, não dar sopa com dinheiro e essas coisas, que lá não é tão “seguro” quanto dizem por aí.
Valeu pelo toque, até que o ônibus passou só as 11:10!!!! (tardíssimo já). Será que eu ia conseguir?
Pela avenida Bustillo, depois o ônibus vira a esquerda e vai para a Villa Catedral. #1995feelings. Como seria aquele lugar com neve? Eu já havia pisado ali, mas como é diferente no verão! Com nada se parece.
Estava relativamente vazio o local, afinal, no verão o único que se tem pra fazer é subir pelas cadeirinhas e apreciar a vista : OU….. fazer um mega trekking por ali, rs.
A ideia inicial do meu trekking era fazer a travessia mais conhecida de todas em Bariloche : “Travessia Frey-Jakob”. Trata-se de dois refúgios na montanha com uma distancia média de uns 12km um do outro. Porém, me informaram que seria bem complicado eu fazer essa travessia em apenas 2 dias (que era o que eu tinha sobrando). Então, no Club Andino (onde tinha me informado na quarta), me deram uma boa alternativa: falaram que eu poderia começar desde o Cerro Catedral (cortava um pequeno pedaço sem ter que passar pelo Refúgio Frey) e assim iria direto para o Refugio Jakob.
Para começar o trekking, eu deveria pegar as aerosillas (as memas usadas para as pistas de esqui no inverno) e começar lá de cima. O passeio das cadeirinhas foi agradável, mas ventoso. Já estava um pouco friozinho, e com a subida até o último nível das cadeirinhas, esfriou bastante.  Voce paga 45 pesos pra caminho só de ida – foi o que fiz, e o passeio leva 45 minutos (sobe bastante) – acho que cerca de 1700 metros.

Cerro Catedral
From Trekking Catedral Jakob



Inicio do Passeio - Aerosillas até em cima
From Trekking Catedral Jakob



Fim da linha - agora é andando
From Trekking Catedral Jakob


La em cima, na última estaçao, já não tem nenhuma vegetação nos montes. Só pedras e mais pedras. Poucas pessoas lá em cima também.
Tinha algumas familias com seus filhos em playgrounds la em cima (eles botam uns playgrounds la em cima no verão (coisa mais maluca)). Depois disso, tinha algumas pessoas descendo que nem loucas algumas pistas de bike que eles montam no verão. (deve ser muito doido fazer isso também). Eu quis fazer, mas ninguem soube informar muito bem se existia esse passeio – todos diziam que só com bicicletas próprias, pra fazê-lo.
Algumas pessoas também subiam apenas pra ter a vista dali e fazer algo como um pic-nic.
NINGUÉM estava indo fazer a trilha eu ia fazer.
Apesar do vento, o tempo estava bom, dava pra fazer a trilha tranquilo, apesar do horário. Como eu tinha chegado lá embaixo meio dia, as cadeirinhas me deixaram la em cima próximo de 1 da tarde.
Tive que subir o resto da montanha até o topo, e consegui isso chegando lá em cima as 13:15.
E UM VENTO.
No topo, deu pra ver um pedaço do vale lá pro outro lado, e uma horrorosa nuvem que estava em cima da outra parte da montanha do outro lado.



Ainda no inciio da trilha, do lado de cá ainda.
Note a trilha a esquerda da foto, e uns pontinhos pretos no meio da trilha, está vendo? São pessoas ;)
From Trekking Catedral Jakob

Nesse começo não havia trilha, isso porque eram pedras demais , e todas soltas, e nenhuma vegetação. Isso dificulta muito a manutenção de alguma trilha. Entretanto, havia uma boa demarcação de onde seguir. De quando em quando, havia pedras marcadas com uma bola vermelha ou amarela (sinal universal de trilha). Cada vez que você chegava em uma marca, era possível enxergar a próxima. Durante toda a trilha (menos mal).
A primeira parte da trilha (após alcançar o topo) é uma bordeação pelo topo da montanha até chegar na famosa “Cancha” – bifurcação que pode levar para o Refúgio Frey ou Jakob.
O vento estava estratosférico, e não foi possível imprimir uma velocidade grande (como eu imaginei que conseguiria) nesse começo. Com vento, e pedras soltas, margeando o topo, não é possível correr.
No meio dessa borda, cruzei com um americano que estava voltando para Catedral (ele vinha do refúgio Frey – mais perto). Eu lhe perguntei se por ali também ia-se ao Jakob (só pra confirmar) o que ele disse que sim. Mas me alertou sobre as nuvens, e disse que certa vez, com um tempo como esse, já tinha tentado ir ao Jakob e quase morrido.



Paisagem do Vale Rucaco - só de chegar aqui já dá emoção
From Trekking Catedral Jakob



No pico, trilha parte plana. Em destaque a  marcação oficial a trilha.
From Trekking Catedral Jakob

OK  – Essa era a mensagem que eu não precisava ouvir naquele momento, ehauh.
Ele comentou que começou a descer para o Jakob e que começou a chover. Ele teve que voltar e disse que teve hipotermia por duas horas. Nesse momento eu tive um pequeno dejavu com a minha expedição para o Pico da Bandeira e me lembrei que o frio não é frescura, se no Brasil eu sofri, imagine na Patagônia!
Ele se foi e eu segui. Confesso que fiquei meio balançado, com o comentário do americano e com o tempo – que de pouco a pouco ficava pior.
Eu fui seguindo e tinha que decidir o que fazer até que eu chegasse a Cancha – bifurcação. QUando muito, se o tempo estivesse ruim, eu poderia ir para o Frey (bem mais perto e mais fácil) como um prêmio de consolação – desistindo do Jakob (meu objetivo).
O que ocorre é que quando cheguei a bifurcação o tempo continuava o mesmo – isto é, não estava muito bom, e estava frio (eu tinha que usar blusa) mas dava pra continuar tranquilo. De acordo com a inscrição na pedra indicando o caminho (não ha placas, só marcas nas pedras) faltava meia hora para o Frey e 4,5 horas para o Jakob. Uma bela de uma decisão.
Com aquele tempo, eu arrisquei. Vou para o Jakob. E fui.



Rio lá embaixo, no Vale Rucaco
From Trekking Catedral Jakob



Pedra indicando 2h (se decidir para o Refugio Frey ou 4,5h para o Jakob)
From Trekking Catedral Jakob



Virada de tempo repentina - super normal na Patagônia
From Trekking Catedral Jakob

Comecei a andar, o bordeamento do monte continuava e o vento também. Não demorou muito até que a nuvem horrorosa viesse um pouco pra meu lado. Aos poucos também comecei a sofrer uma chuva de poeira bem chata (pior do que as moscas no trekking do Tronador). Essa tormenta foi aumetando até que eu tivesse que ir muito lento pra não levar algum tombo perigoso.
Foi só alguns bons minutos depois que eu fui perceber que aquela poeira era nada mais nada menos que NEVE.
Não, não era aquela neve bonita, em flocos, gostoso, que vc abre a mão pra pegar e sorri. Eram pontinhos , como de areia, minusculos, e eles vinham na horizontal, por causa do 


vento, e batiam em você, DOENDO, e incomodando. Sò dava pra ver que era neve, porque quando caiam no chão era possível ver sua cor branca, além de ver que o chão estava todo respingado (neve derretida).
Foi emocionante, mas a neve incomodou e atrapalhou. Apesar disso, eu não estava sentindo tanto frio assim e achei que estava indo bem, apesar de todas as interpéries até o momento. Continuei seguindo as indicações até a segunda parte da trilha
Descida Mortal
Teve um ponto que ficou um pouco confuso pra onde se devia ir. Dei sorte de ver no meio do caminho entre o topo e o vale, um cara descendo, com muita dificuldade em direção ao vale. “Só pode ser ali!” pensei eu. De fato, depois de um pouco procurar e forçar o olho, vi uma bolinha vermelha desenhada em uma grande pedra um pouco la embaixão.
A questão é que a descida era BEM ingreme. Algo, sei lá, como 60 graus de inclinação. Provavelmente uma das piores descidas que já fiz na minha vida de trekking (acho que foi a pior). O que dificulta esse tipo de descida é que não era sobre pedras bem definidas e grandes, era apenas um morro com terra + pedregulhos, com pouquissimas pedras grandes arraigadas ao solo.
Dessa forma, aí é que não havia trilha mesmo. O negócio era chegar até o vale! Primeiro que o seu joelho pede arrego em cinco minutos e depois que você não tem onde se segurar. Eu fiquei ao menos tranquilo que não era o único que estava tentando fazer a travessia até o Jakob (ao fim, alguém na trilha!)



Foto tirada com um ângulo de 60o negativos - descida hiper ingreme e sem apoio nenhum
From Trekking Catedral Jakob

Gastei uns bons minutos pra chegar até a metade da descida (tive que guardar a câmera) e na segunda metade descobri uma boa técnica para descer (apesar de um pouco arriscada): chama-se earth-boarding – algo como esqui na terra, heheheh.
A segunda parte do monte eu desci bem rápido, alcançando o cara la da frente (na verdade eram 3) em poucos minutos. Quando os alcancei, confirmei que eles iam pra Jakob, mas eles não foram muito receptivos (responderam, mas não puxaram muito papo). Então eu apenas ultrapassei eles, e fiz a segunda parte da trilha. A mais tranquila.
Essa parte você segue por uma trilha muito bem demarcada, num vale rodeado por montanhas. (grande visão). Muita vezes passa por bosques e tem que ir desviando de algumas lamas incovenientes. Mesmo com chuva, foi mais tranquilo fazer essa parte porque o bosque te protege bastante.

Cachoeira Rucaco


Cachoeira singela, escondida no meio do vale, sem poço e, obviamente, não especial para nadar, pois tudo ali é um gelo. Mas ótimo lugar para parar e recuperarum bom fôlego. Eu não precisei tomar água, mas acredito que deve ser limpa. (chute).
Cachoieira Rucaco
From Trekking Catedral Jakob



Singela Cachoeira Rucaco
From Trekking Catedral Jakob



Floresta dentro do Vale
From Trekking Catedral Jakob



Olhando para o que eu deixei para trás. Aqui ja no inicio da subida derradeira
From Trekking Catedral Jakob

Terminado o bosque, singelamente uma subida começa, a principio normal, e depois piorando um pouquinho. Mas, depois da descida fenomenal, essa subida até que não foi grande problema. Fiquei olhando um pouco pra trás (baixo) pra ver se encontrava os 3 caras, mas nem sinal deles. A descida devia ter matado eles um pouco.
Achei que a trilha tava no papo. Sabia que depois da subida haveria mais uma descida e só. Mesmo que fosse como aquela primeira daria pra aguentar.
Fim Mortal
Quando o fim da subida começou a aparecer, junto começou um vento (normal né). Só que…. quano eu cheguei no cume, foi algo SENSACIONAL. Era muito, muito, MUITO vento. MUITO. Ao mesmo tempo dava pra ver o refúgio la embaixo!!!! Quase vitória!
Máquina na mão tirei algumas fotos e comecei a descer, fui tirando fotos e…. peraí: mão congelada! Ops, ops, vento piorando… e MUITO.



Nesse momento eu parei e falei. Não. Preciso começar essa descida 100%. Voltei desesperado pra atrás de uma pedra que me salvava do vento, guardei a câmara, e a minhas mãos no bolso, respirei fundo….. e fui.

O Vento era impressionantemente violento. A descida então…. nem queria pensar. Comecei a descer com cautela, e era preciso descer bem lento mESMO, porque se não o vento te pegava e te jogava. Ao mesmo tempo a vontade era correr e acabar com aquele sofrimento de uma vez.
Eu olhava com dificuldade pro lago e pro refúgio lá embaixo, enquanto o vento castigava com a neve/chuva impedindo de olhar pra frente. Era uma mistura de emoção com dor, alegria e sofrimento! Muito foda (quem disse que é só o amor que faz você sentir muitas coisas ao mesm tempo?? O trekking também =P rs)
A descida não era pouca, era ingreme de verdade! E o vento era aquele tipico da patagônia, sem tréguas!
Aqui não dava pra fazer earth-boarding, era passo a passo, sem mover as mãos, se não elas congelavam! Consegui fazer a descida bem, apesar de ter acabado ela esbagaçado. A única coisa que eu queria era chegar no refúgio e nunca mais sair de lá.
Tava um frio descomunal e a chuva não queria parar mais não. Quando a descida terminou, eu falei, PRONTO , ACABOU.


Meio da subida derradeira. Tempo horripilante
From Trekking Catedral Jakob


Mas nunca é assim, certo? Depois da descida, era só ir em direção ao refúgio MAAAAAS, “no meio do caminho tinha uma pedra”, ou melhor, um rio. Tinha que atravessar o rio pra chegar nele!! (peeeeeee, medo).
Então primeiramente os brejos começaram a se multiplicar : essa verdade não muda nem no Brasil nem na Conchinchina: se voce tem um rio, você vai ter brejinhos e lama em volta. Caramba, foram 500 metros de lama, e adivinha se eu consegui atravessar sem afundar um dos meus pés na lama?
Esse momento foi bem ruim! Depois disso, chutei o balde, falei, não pode piorar, e falta pouco! Vamos chegar!
Mas pode piorar.
A arrebatada final é que, não tinha jeito! Atravessar o rio! Mas como????
Não tinha ponte! O rio era raso, MAS, não tinha muitas pedras.. enfim, depois de uns 5 minutos, encontrei um lugar que seria algo possível, com MUITA SORTE, passar pelas pedras sem cair e molhar.
Adivinha se eu consegui?


No topo novamente e olhando para o segundo vale.
Circulado de vermelho, o refugio!! (aquele pontinho), com seu lago ao lado
From Trekking Catedral Jakob


Eu vi estrelas nessa hora. Um dos meus pés caiu na água (tava de tenis) e quase caio de Câmera e tudo nessa hora ( uma planta me slvou). O pior é que tive que voltar para o ponto inicial. Nessa hora chutei o balde de novo e tirei os tenis, ia atravessar mlhando mesmo.
Como doeeeeeu por Zeus.
Doeu muito atravessar o rio, meros 4 metros de largura!
Ao chegar do outro lado do rio, pisar na grama, ou na areia, ou nas pedras, onde quer que seja! Era como pisar no gelo!!!!
Nusga.. quase chorei de dor nessa hora.. não conseguia me manter.. e devia faltar o que, uns 300 metros pra chegar no refugio… (!) que grand finale!!!!
Calcei os tenis molhados (era mais quente do que andar descalço!!!) e cheguei esbagaçado (mesmo!) no refúgio! Um cara estava na porta me esperando. (eles ficam com binoculo assistindo a sua descida e a sua chegada sofrida!!! heauheau)
Ele viu o meu estado, falou pra eu tirar os tenis e entrar no refugio (não se entra de tenis no refugio). Que alivio foi entrar numa casa quentinha com chão quentinho!!! Ufa :-D
Eu me sentei e ele me ofereceu um “te de mate” bem quentinho. Apesar de odiar chá, aquela foi uma das bebidas mais reconfortantes que bebi na minha vida. Foi uma chegada sofridíssima!
O frio tava tão intenso, que não valia a pena sair do refugio (eram 17h ainda). Não consegui sair do refúgio para tirar fotos, pra nada. Fiquei ali dentro mesmo, escutando as conversas, puxando papo com outros, e tocando um violãozinho (tinha 3 violões no refúgio! :) )
De noite jantei a comidinha de la (caro que nem no outro refugio, mas reconfortante).
Depois fui pro quarto com as camas (Esse refugio tava bem mais tranquilo que o tronador) e dormi, dormi nada no fim das contas. Mas dormi, pra fazer a volta pela trilha Jakob.


Lago Jakob
From Trekking Catedral Jakob

Refúgio Jakob:
É uma casa no meio do nada. Não tem eletricidade nem muito conforto. Te oferece apenas o básico para você ficar bem, principalmente a noite. Quando o sol se vai, venta muito e faz muito frio. A casa é aquecida e totalmente isolada no frio exterior. Não se pode entrar com tênis (para manter a casa limpa e seca). As pessoas que estão lá não moram lá, elas apenas trabalham no verão, atendendo os visitantes.

O refugio só funciona na época de verão onde é seguro fazer essas trilhas. No inverno não há suporte!

Não é preciso fazer reserva, basta chegar! Que eles te oferecem um colchão. Experiência única!

Dentro do Refúgio - bem quente e  acolhedor, apesar de rústico :)
From Trekking Catedral Jakob


No primeiro dia no refúgio cumpri com a minha parte social do dia e puxei papo com um cara que a principio parecia isolado do resto do grupo. Era o Marlo. Francês. Confesso que quando ele falou que era frances eu fiquei meio com preguicinha (sim tenho preconceito com franceses =S)
Conversamos um bocado no primeiro dia, e acabei estimulando a dois ingleses a entrarem na conversa também. Conversa branda, numa boa e com muita cordialidade. Depois chegou um terceiro ingles que entrou na conversa também.
A noite foi de cão, pra variar. Foi muito mais tranquila que no refúgio Otto Meiling. Só que meu nariz tava completamente tampado, então, respirando pela boca, acordava de 20 em 20 minutos. Dormi malzasso (apesar de ter tido um colchão só pra mim, com 3 cobertas).
Então no outro dia, curti o meu café da manhã e saí la pelas 11. O Marlo saiu comigo (eu não tava tão afim assim de ir com ele, mas ele acabou se auto convidando).
Tiramos umas fotos do refúgio com o Lago Jakob e partimos juntos. Tinhamos 18km pela frente e eu estava mortão, mas pelo menos, a notícia que se dava é que, apesar de maior, ia ser mais fácil que a primeira parte (sem subidas ou descidas estrondosas).
ALém do mais, o dia estava bem melhor que o ontem, solzinho esquentando um pouco (thank God, fiquei com medo de ficar preso por causa da chuva).
Andamos os 18km numa boa, e conversamos de muita coisa. Foi mais difícil conversar com o Marlo que com o Mike, porque o Marlo falava apenas um médio inglês (eu falava melhor que ele! – hehehe, me senti O cara) mas ainda assim tivemos alguns papos legais.


tem comida!
From Trekking Catedral Jakob

No fim das contas o Marlo era um cara bacana – meio louco, mas anyway. Francês, viajando por 9 meses (!) , sendo que 3 deles ficou em Jericoacara. Só saiu porque mandaram ele embora (ele não podia ficar mais) heuah, e parece que já tinha passado por muito país aí, além de fazer não sei quantos esportes radicais (não lembro de algum que ele não tenha experimentado).
Tinham roubado a câmera dele, então eu oferecia pra tirar umas fotos pra ele e depois lhe enviava, ele aproveitava e tirava algumas minhas também.



Cardápio do local!
From Trekking Catedral Jakob



O Refúgio por fora
From Trekking Catedral Jakob



Lago Jakob
É o que dá o nome "apelido" ao famoso Refúgio. Lindo lago, não da pra cansar de ficar olhando pra ele.
Infelizmente não dá pra nadar também, porque mesmo no veraõ ali é muito gelado! Bem, se vc for louco, talvez dê pra nadar. Eu não cogitei a misera possibilidade. Algo incomcebivel pra mim. Sò pra olhar!

Um pontinho ao lado das montanhas
From Trekking Catedral Jakob

Sobre a trilha, ela foi bem tranquila nos 9km iniciais, sendo que no começo, fomos agraciados com uma bela quedinha (cachoeira), parte onde tinhamos que atravessar o rio. Aqui foi agradável porque havia pedras para não se molhar, além de uma corda pra atravessá-la. A cachoeira devia ter uns 6 metros de queda (sua ultima) mas um total de uns 25m (em 3 quedas). Tivemos que descê-la pelas pedras, mas tranquilos, atravrssar a corda e continuar.
Depois disso, havia um pedaço “caracol” bem pesado, que deu pra cansar os joelhos. Mas não durou taaanto como tinha durado o Tronador.
No caminho, encontramos com várias pessoas do refugio (fomos num ritmo forte), inclusive com uma italiana (primeira da viagem toda!) viajando sozinha, e bem engraçada! heuah. Eu não sei o que ela fazia no dia anterior no refúgio, mas fazia muita gente rir.
Também foi muito engraçado ver a italiana que não falava nem espanhol, nem inglês e nem francês tentar falar com um francês que não falava nem espanhol, nem italiano e só um 


Cachoeira Jakob
Outra singela cachoeira, ja bem perto do refugio que da um ânimo ja no inicio da trilha. Possui um pocinho pequeno que não da pra nadar. Não só apenas pelo tamanho, é claro, mas pelo clima :)


Paredão formando a Cachoeira Jakob, próximo ao Refúgio
From Trekking Catedral Jakob



Poço da Cachoeira Jakob
From Trekking Catedral Jakob



Cachoeira Jakob - singela
From Trekking Catedral Jakob



Corda de apoio - sério, depois de todo o perrengue - nem precisava
From Trekking Catedral Jakob


Depois mais pra frente, encontramos um australiano (que eu não entendia quase nada que ele falava) e assim fomos tranquiloes.
Os últimos 9km eram igualmente todos dentro do bosque, e com um rio ao lado acompanhando (com belas vistas) mas dessa vez houve algumas subidinhas pra matar. Eu terminei bem, melhor do que em Tronador, mas também estava meio destruidão.
Ao chegar no ponto onde o carro ia nos pegar, tivemos um mini socialização dos israelenses, australiano, francês, italiana e 2 porteñas.
Eu pelo menos tinha força de caminhar :) , voltei até cedo pra casa arrumei as coisas direitinho pra no outro dia partir tranqs


Excelente segundo dia par andar no vale
From Trekking Catedral Jakob



Ponte trnaquila na metade final, terminando a trilha
From Trekking Catedral Jakob



Placa "inicial' da trilha
A maioria das pesoas começa por aqui, passa por Jakob e depois terminam em Frey.
Passeio tradicional de 3 dias.
From Trekking Catedral Jakob






sexta-feira, 4 de março de 2011

El Tronador - Bariloche , Argentina

Duração : 2 dias.
Atrações desta travessia :
*Glaciares do ex-vulcão "El Tronador".
*neve.
*Paisagens Altas.
*Pico
*Dificuldade : Média.

Breve descrição:
Esta trilha é uma subida constante sobre o Monte El Tronador. Começa com uma subida leve, e que continua assim por um longo tempo, por sobre bosques e alguns poucos pontos de água.


Mais para o final a subida fica mais inclinada e onde a vegetação começa a terminar. Nesse ponto já é possível ver o primeiro Glaciar do Monte e uma bela vista de Pampa Linda, a paragem que fica lá embaixo.

Os últimos 2km continuam em subida razoável até que se chegue ao Refúgio. É possível ir e voltar no mesmo dia, mas uma vez que há um refúgio lá em cima, vale a pena ficar por lá e curtir o por do sol.

Se essa for a decisão, também é possível, continuar subindo o monte (sobre a neve) e ter vistas sensacionais a cerca de 2300 metros de altura. OBS: Subir a parte de neve é arriscado. Cuidado com as fendas do glaciar que podem ser traiçoeiras e fatais!

Logística:

O passeio começa - tradicionalmente - em Pampa Linda. É um espaço dentro do Parque Nacional Nahuel Uapi onde existem pousadas, campings e restaurantes. O mais comum é pagar uma van par deixá-lo nesse lugar, partindo desde o centro de Bariloche. A viagem de Bariloche até Pampa Linda demora cerca de 2 horas (sendo cerca de 1h20min dentro do parque - estrada de terra).

Parando em Pampa Linda você está no início da trilha, muito bem sinalizada.
As vans costumam sair entre 8h e 9h de Bariloche, então a trilha você iniciará perto das 11h.

A subida pode ser feita entre 4h e 6h. (nós fizemos em 4h) num ritmo bom com apenas 3 paradas.

Lá no topo, curta a paisagem, fique no refúgio ou escale um pouco do glaciar (sabendo que há riscos).
No segundo dia saia tranquilo do refúgio: a descida dura no mínimo o mesmo tanto que a subida (nós demoramos na descida 4h também) mas pra quem sobe em até 6h, gastará apenas 4h na descida.

Se tiver um dinheirinho extra, coma a janta do Refúgio, que é bem servida e com um gostinho especial de estar lá em cima quentinho. Aproveite e tome um vinho!
O café da manhã, apesar de bom, recomendamos levar o seu próprio, pois o café é carinho mas simples - dá pra levar na mochila e não gastar essa parte.

As vans costumam voltar pra Bariloche saindo de Pampa Linda as 17h, dá tempo de almoçar em algum lugarzinho la embaixo e voltar tranquilo pra cidade.

Obs: se estiver de carro, saiba que existem horários marcados para pegar uma mão ou outra nas estradas dentro do parque.

Atualmente os horários para o Cerro Tronador são:

*Horários:
Ida (Entrada do parque até Pampa Linda (mão única):
de 10:30 a 14:00 hs.
Volta (Pampa Linda até saíd do parque) (maão única):
de 16:00 a 18:00 hs.
Mão dupla:
de 19:30 a 09:00 hs.

*Distâncias
Bariloche até Pampa Linda - 77km (estrada)
Pampa Linda - Refúgio : 11,9km (trilha sinalizada)
Refúgio - quase cume do Monte : 5,67km (trilha na neve)
Trilha até o rio paralelo : 1,09km (trilha sinalizada)

*Preços:
Transporte de Bariloche até Pampa Linda (valor de ida e volta) : R$ entre R$40,00 e R$50,00 (obrigatório).
Entrada no Parque Nacional Nahuel Uapi : R$25,00 (para estrangeiros). R%5,00 (para argentinos). (obrigatório)
Pernoite no refúgio (não é necessário levar saco de dormir): R$30,00 (opcional - você pode levar sua barraca).
Janta no refúgio : entre R$22,00 e R$30,00. Cardápio com opção de carne ou massa e uma bebida. (opcional - pode-se usar a cozinha do local, pagando-se uma taxa menor).
Café da manhã no refúgio : R$15,00 , inclui torradas com geléia e/ou manteiga e um copão de café com leite (opcional - vale a pena levar o próprio).


Sugestão :
Dia 1:
Bariloche - Pampa Linda - Refúgio - Quase cume do monte

Dia 2 - Refúgio - Pampa Linda - Bariloche






Relato

Trona Trona Tronador

Fui dormir relativamente cedo, e estava bem ansioso pelo passeio.Comprei minha passagem até a base do Tronador (para isso é preciso entrar no parque). Dormi pouco, pella ansiedade do passeio - estado normal que fico para trekkings dos bons ^^.

As 6 da manhã em ponto, quando o Martin entrava no quarto voltando da balada eu tava levantando, já com meu mochilão todo pronto e a mochila de ataque também. É que esse trekking é mais comumente feito em dois dias : no primeiro você sobe a montanha e chega em um refúgio (casa lá em cima), dorme lá, e no segundo dia desce.

Então eu não ia pagar o hostel só pra deixar a minha mochila. Levei tudo (deixei o mochilão na base).

O ônibus tava cheio. Uma boa distância do centro até o ponto de início da trilha: 2h30min de viagem.

O ônibus nos deixou em Pampa Linda, uma planície, de fato, bonita, com flores e com uma bela visão do Cerro Tronador. O Cerro chega a 3493 metros de altura, altura das boas e que faz com que a neve seja eterna por lá. No Club Andino me falaram que era sem dúvida o passeio (dos trekkings famosos por ali) que mais me impressionariam.


Ao entrar no parque, tem-se de pagar mais uma taxa (bem salgadinha para os estrangeiros - assim como foi em Ushuaia) e logo depois faz-se o registro no parque, informando o "guardaparques" o que você deseja fazer no seu trekking, informar o que equipamento que está levando e que dia vai voltar.

Impressiona que exista tanta gente "boa" no negócio de trekking. MOCHILOES ao infinito. Muita gente levando mochilão pesado pra cima das montanhas, passando dias por lá - e eu, um mero iniciante =P

La na hora de fazer o registro, ouvi um cara meio doido insistindo pros guardas que ele queria ir para o "Refúgio Viejo" - um dos refúgios para o Cerro Tronador, mas que atualmente não oferece serviços (isto é, ninguém fica lá pra te receber) - ao que se dá o nome de Vivac. (Vivac = refúgio "inativo"). Isto é, trata-se apenas de uma casinha de madeira pra se vocÊ se proteger do frio, mas sem nada la dentro.

Os guardaparques faziam burla do cara entre si, como ridicularizando-o porque ele estava insistindo em ir, sem o equipamento necessário, como bolsa de dormir e fogareiro.

From El Tronador - Bariloche - Argentina

Mas o cara insistia. Aí que pensei:

"Esse é dos meus" hoh.


Eu nem sabia da existência desse outro refúgio, pra falar a verdade (tem tantos detalhes e nova trilhas aparecem quando a gente começa a fazer alguma que parece não ter fim). É como começar a conhecer um assunto e perceber a possibilidade que ele seja infinito.


Não. Calma. Nós não fomos nesse refúgio - nem era essa minha intenção. Eu tenho certa experiência com trekkings, o que inclui o bom senso. E nunca tinha realizado um trekking de + de 1 dia em áreas temperadas, com direito a neve. Seria loucura da minha parte arriscar fazer algo "contra a lei" nese tipo de contexto novo para mim.

Mas eu disse  "ese cara é dos meus". Ele estava indo pra não sei onde enquanto eu ia la acomodar meu mochilão num restaurante lá (deixei ele lá pra começar a minha trilha - iria só com o mochilão de ataque). E acabei esbarrando com o cara. Ele começou a me explicar a situação em inglês (e os guarda parques falavam apena um inglês bem porco - mais que o meu). ENtão eu entendi que ele não tinha entendido o porquê de não deix-alo ir. Expliquei que seria arriscado ele fazer aquilo, sendo que ele também não conhecia a região.

Ele ficou meio transtornado, mas aceitou. Depois ele sumiu e eu então iniciei a minha trilha sozinho. Algumas pessoas estavam subindo, outras estavam indo fazer outro trekking (descobri que tinha outros milhões la dentro, que eu ainda não conhecia). O Parque Nahuel Uapi é uma surpresa (como já era de se esperar).


A trilha para o Tronador possui uma distância - se a partir de Pampa Linda (uma das possibilidades) de 14km. Não é tanto. Por outro lado, a diferença de nível do início é bastante considerável (aí está a parte difícil).

De qualquer forma, eu não achei que isso seria um problema (acho que ia tirar de letra).

Uma das coisas que o guardaparque me perguntou se eu levava era um repelente (respondei sim só  pra ele não me encher o saco) e achei que seria uma super frescura. O castigo vem rápido nessas horas.

Nos primeiros DUZENDO METROS de trilha, acredito, um micro enxame de moscas BEM CHATAS começou a ficar me rodeando. A princípio eu pensei que eu devia estar sujo demais, mas depois vi que isso acontecia com outras pessoas também, então fiquei aliviado. rs. O repelente não era frescura - fato.

Foi bem desagradável aguentar aquelas moscas durante boa parte do caminho (depois você acba acostumand - mas é complicado. vc tem que ficar abanando toda hora pra elas não te picarem - porque DÓI!).


Então já nesse começo eu vi o cara doido um pouco atrás também espantando as moscas. Resolvi tomar a iniciativa e puxei papo com ele , se ele tinha finalmente aceitado em ir para o Refúgio Otto Meiling - o mais famoso da região.

Ele respondeu que sim. Percebi que ele não era muito aberto pra conversação, mas fui conversando numa boa e assim começamos a andar juntos. Ele era do Canadá, o Mike.

Ele não falava espanhol, mas gostava que eu falasse em espahol e depois traduzisse pra inglês pra ele ir aprendendo um pouquinho também (claro que no inglês eu apanhava bastante mais). A gente conseguia se comunicar razoavelmente bem.
From El Tronador - Bariloche - Argentina


Confesso que foi agradável ir com companhia - coisa que nunca tinha feito em um mochilão. O que ocorre é que eu tneho medo de fazer amizades e levá-las aos trekkings, sendo que talvez a pessoa não tenha a experiência necessária (e amarelar no meio do caminho - aí seria um saco). Então nesse ponto dei sorte, porque o Mike também parecia bem aventurado nessas idas de trekking.

Então fomos nos dando bastante bem. Perguntando trilhões de coisas de "como é no brasil" e "como é no canadá". Foi divertido.

Fizemos os XXX km numa boassa, muito rápidos e paramos um pouco num ponto para descanso cheio de sombra. Mas cheio de MUITAS moscas também. Não dava pra ficar parado, isso era fato. Ficamos só o tempo de comer alguma coisinha e seguimos.

 Ponte ao início da trilha - logo após sair de Pampa Linda
From El Tronador - Bariloche - Argentina


HAvia a parte dos "caracoles" - nome que deram ao pedaço da trilha para os "zig-zags". Essa é a parte mais dura da trilha, onde o aclive é bastante acentuado. Mas indo numa boa sem correr, vai-se tranquilo.

Caracoles - malditos caracoles
From El Tronador - Bariloche - Argentina


Exatamente após o fim dos "caracoles" chega-se ao "Descanso de los Caballos". Um pequeno valezinho gramado bonito, fim da linha para os cavalos que chegam até ali (não sei como). Porque a partir daí só a pé mesmo. Desse ponto já tinha-se uma visão impactante do Monte, sendo que era possível ver algumas quedas  bem altas. Uma delas a Garganta del Diablo. Quedas todas provenientes do degelo dos glaciares.

Fim dos caracoles - Vista de Pampa Linda, quase no topo do primeiro Glaciar
From El Tronador - Bariloche - Argentina

Após isso começamos a parte final da trilha: até que não tão pesada, mas sem vegetação nenhuma, sob o sol sempre. Esse pedaço da trilha você se sente meio como num filme - naqueles cenários onde o fim do mundo ocorreu. É que só há pedras e mais nada, e um silêncio descomunal. Mesmo se vc chuta uma pedrinha, o som é dissipado tão rapidamente que o silêncio parece ser emergencial de acontecer. É muito doido.


De repente começam alguns pontinhos de neve. Na verdade, o que Mike e eu batizamos de icesnow. Porque num é nem gelo e nem neve. É no meio do caminho. De repente, láaaaa no longe, a gente avista uma casinha pequitinha : era o refúgio. Muito doida a visão de uma casa isolado no meio do nada em um lugar tão alto.


Garganta del Diablo - A Cachoeira de Neve
Note o momento exato da queda de um grande pedaço do Glaciar
(Neve caindo pela queda)
From El Tronador - Bariloche - Argentina


Fim do flagra de uma parte do glaciar caindo
From El Tronador - Bariloche - Argentina


Essas cachoeiras são bem altas. EU não medi a altura, mas estimei cerca de 70 metros. Não há poço la embaixo, mas a queda é muito linda de se apreciar.




From El Tronador - Bariloche - Argentina


Ultima parte da subida - muitas pedras e começo da neve
From El Tronador - Bariloche - Argentina


Cordilheira dos Andes - neve, pedras e altura
From El Tronador - Bariloche - Argentina

Continuamos tranquilos e chegamos lá no topo as 15:30 (tinhamos começado mais ou menos as 11:30). Um excelente tempo então, já que o esperado era de 5 a 7 horas.

Chegamos lá e um cara com um nariz de palhaço nos esperava: Primeira coisa que ele disse é que não tinha lugar, mas era um palhaço, veja lá. Lá em cima tinha 3 casinhas: uma é a casinha do pessoal que "mora" lá em cima, outra é um depósito de comida e coisas essenciais pra se viver e a terceira um pouquinho (mas não muito maior) é o refúgio.

É uma casinha beeem velha, forrada com chapas fortes de ferro e feita de madeira. Já ventava um pouquinho, mas lá dentro do refúgio era super quentinho. Entramos, perguntamos tudo como era e depois fomos passear.


Parte anterior da queda Garganta del Diablo - neve na fila pra desaguar 
Não dá pra pisar aí não hein!
From El Tronador - Bariloche - Argentina

Lado esquerdo (de quem vai) do glaciar (esse é o segundo!) - mais alto um pouco
From El Tronador - Bariloche - Argentina

A foto a seguir é na altura do Refúgio.


Na altura do Refúgio
From El Tronador - Bariloche - Argentina


Notem  o refúgio la embaixo - aqui, inicioda subida na neve
From El Tronador - Bariloche - Argentina




Como não nos contentavamos com pouco (que ja era muito! heauh) continuamos subindo o monte até onde desse. Logo depois do refúgio a neve neve de fato começou a aparecer. A principio achei que seria meio impossível escalar o monte pela neve, mas treinamos alguns passos e funcionou. Além do mais, havia marcas de passos que subiam, o que nos ajudou um pouco.

Primeira fenda encontrada no caminho - perigo de morte (é sério!)
From El Tronador - Bariloche - Argentina


Deserto de neve - até as 19h é calor, depois começa a esfriar. Atenção, leve tênis impermeável!
From El Tronador - Bariloche - Argentina




Sempre parecia que o pico estava próximo, mas nunca chegavamos lá. Continuamos subindo até que em um dado momento meu pé afundou, sei lá, algo como 20 cm. Eu disse "ops".

Aí nós demos uma olhada no porque disso, e vimos que havia uma fenda no exato lugar onde eu estava pisando : *MEDO*.

Subindo bem aos pouquinhos
From El Tronador - Bariloche - Argentina


Do lado esquerdo, o pico (uns 3100 metros de altura)
From El Tronador - Bariloche - Argentina






Parecia bem rasinho onde estávamps indo, mas aquela fenda mostrou que onde estávamos pisando era bem, beeem fundo. Depois olhamos mais em volta e enxergamos várias fendas bem horrorosa pela neve (olhem as fotos).

Maior fenda que encontramos - Passe longe!
From El Tronador - Bariloche - Argentina

Deu uma certa adrenalina seguir andando por lá. A nossa garantia era seguir os passos dos que tinham andado ali ha pouco (não vimos quem).

Em certo momento decidimos virar para a direita (em direção ao Chile) porque uma horripilante fenda um pouco acima nos meteu medo.



Andamos bastante para a direita ainda, num hiper deserto de neve (muito boa a sensação) até que chegou um ponto em que havia uma descida bem ingreme, se quisessemos continuar. Eu obviamente vi que ali era o fim da linha, mas o Mike disse:

"Let's go".
E eu:
"You're crazy. We can't!"

Mas ele já estava descendo. Puerra, pudera! Ele é praticante de "aquele esporte de esqui com skate" (esqueci o nome), então ele foi quase que esquiando. Eu pensei

"carai.. fudió. vou ter que ir".

Comecei a descer, foi bem teenso, hehehehhe. Não dava pra ir sem a ajuda das mãos, como consequencia, não dava pra ir sem queimar a mão no gelo. Foi foda.

Mas chegamos até uma parte bem rochosa, onde dava pra ver outro glaciar (depois fui a descobrir que o Monte Tronador tem 7 glaciares). Vimos 3 deles então =D

O que estavamos fazendo na verdade era a trilha (mais perigosa) para o Refugio Viejo. O Mike queria que queria ver o tal refúgio. Mas ele devia estar exatamente atrás do monte que estavamos tentando circundar.
Ponto mais alto que alcançamos - Visão para o CHile, isso aí (estávamos a apenas 300 metros da divisa)

From El Tronador - Bariloche - Argentina
Chegou um ponto em que agora sim, era hora de voltar. TOda a trilha ficava bem perigosa, com fendas demais e não havia mais pegadas pra nos nortear. Ele quis continuar por um lado que supos chegar ao refugio que estávamos , por um atalho. Mas eu achei que não, e lhe disse que preferia voltar, porque se errassemos , ja ia começar a ficar bem tarde (já eram 18h). A partir das 20h ainda tem sol, mas ele não esquenta mais, e isso seria algo necessário pra nossos tenis não impermeaveis que já estavam começando a ficar encharcados (E GELADOS) por conta da neve.

Neve de verdade - e no verão

From El Tronador - Bariloche - Argentina
Ele continuou e eu voltei meu caminho, tranquilo, mas olhando aquelas fendas e falando "que loucura", ehauh.

Cheguei lá pelas 19:30, com muito sol ainda, mas com um vento já bem forte. O Mike, acabou voltando pelo mesmo caminho, mas bem depois , lá pelas 20:30, hora da janta!

Você pode levar a sua propria comida ou pedir uma janta la em cima. Ok, é caro sim, mas é tao bom, heheheh. Eu pedi a minha , uns raviolis gostosos (era o prato mais barato) e muita gente também pediu. A cozinha era pequena pra todos nós la no alto, então tivemos que fazer um rodízio de cozinha. Eu não via a hora de comer a minha jantinha, que fizemos lá pelas 21:30.

E especial estar no alto de uma montanha gelada, dentro de uma casa quentinha, com todo mundo junto. Foi muito doido^^

La na hora da janta acabamos conhecendo o Juan, argentino. Ele também tinha subido sozinho, e nos divertimos um bocado conversando, eu Juan e Mike.

Depois, eu resolvi sair um pouquinho ver o restinho do sol no dia (as 22:30 ainda há resquicios de sol no céu). Vou dizer com todas as letras: que é indescritível sentar e apreciar um glaciar ao por do sol. A imensidão, o silêncio e a beleza ao mesmo tempo são tão grandes que não tem como sentir algo especial. Fiquei lá perto de umas meia hora, só apreciando.


Quando olhei pra trás, eu era quase um dos últimos a entrar no refúgio - nessa hora eu já estava trajando minha campera da patagonia, bem pesada e forte praquela situação. O vento nessa hora é bem forte e frio demais. Quase rasga.

Cachoeira ao lado do Refúgio - essa da pra chegar pertinho! (quase na base dela) . Mas não vá perto, pois deslizamento de neve não é incomum.
From El Tronador - Bariloche - Argentina

Hora de dormir, mais uma experiênca única: Adivinha como é? Todo mundo pro segundo andar do refúgio, botam-se os colchões que o próprio refúgio disponibiliza e dorme-se.

Esse é o refúgio - com pouca eletrcidade (mas ainda assim tem) , comida e abrigo bem quentinho
From El Tronador - Bariloche - Argentina

Não há reservas, e não há numero limitado de pessoas pra subir também. Ou seja, pode dar o super azar de subirem 3000 pessoas, e todas vão se amontoar la dentro de alguma forma.

No nosso caso, em tal dia, o numero mágico foi de 57 pessoas, o que nos deu 3 colchões para 4 pessoas ou 0,75 colchão por pessoa.

Comedor do Refúgio - aconchegante cheio de gente :)
From El Tronador - Bariloche - Argentina

Isso mesmo: em dado momento eles chamam todo mundo la em cima e começam a ditar em qual colchão (ou fração dele) você vai dormir. Os caras deixam os conhecidos juntos e colocam os velhinhos próximos da porta, em um local que não precisem passar por cima de 50 cabeças (literalmente) pra sair e ir ao banheiro, por exemplo.

E assim foi, eu peguei um lugar bom e acabou que fiquei quase com um colchão inteiro (porque o cara do meu lado nem usou muito o resto da fração do meu colchão). (eu por sorte peguei os 0,75 colchão todos em um colchão só).


Sim - dorme-se aqui!
From El Tronador - Bariloche - Argentina

Demorou umas 2 horas pra todos irem subindo e se ajeitando no colchão, isso sim. Mas foi divertidíssimo. La pras 1 da manhã acho que tudo silenciou e dava pra ouvir só o vento estrondoso lá fora, batendo nas tralhas de ferro, que impediam que o frio entrasse no refúgio.

Ok.. é claro que não é uma noite de muita qualidade e, ainda mais, quando alguma pessoa ou duas, decidem fazer barulho, não, não se dorme muito bem, mas.... o que vale é a experiência.

E assim dormimos... :)

Vídeos:







Mapa:

Visualizar R.Ar.Bariloche.Parque Nacional Nahuel Uapi.El Tronador em um mapa maior

Os Caçadores de Cachoeiras

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